Por muito tempo eu achei que nunca fosse conseguir ter amizade com ele, pois com a minha mãe eu tenho uma relação que vai além das palavras a gente é muito cumplice, o que é bem legal.
Meu pai sempre foi daqueles caras bem machistas, que queria escolher até como era o seu cabelo, o que me deixava maluca. Ele também não entendia porque eu lia tanto e vivia apagando a luz pra eu parar, bom, essas pentelhices que deixam qualquer ser humano maluco.
Bom, com o tempo eu comecei a não bater mais boca pra mostrar que eu era igual a ele, eu comecei a agir, dar pequenas doses de choque pra que ele visse que tudo estava diferente, até que um dia ele pensasse que tudo sempre foi desse jeito. Aí eu comecei a ter as mesmas atitudes com ele que eu sempre tive com os meus amigos, mostrar como eu era no mundo, pois não tinha motivos de vergonha. Comecei a debater sobre política, conversava de igual com os amigos dele, conversava sobre coisas estranhas com os meus tios da maçonaria, e assim, fui ganhando respeito entre as pessoas que o cercava, o que o ajudou a me ver de uma forma diferente.
Nos últimos anos quando eu estava no Brasil as maiores companhias éramos eu e ele, a gente já até podia ficar em silêncio pois um olhar já tinha o conteúdo de um texto enorme.
Nessa minha viagem pro Brasil eu percebi, e ele também, o quanto foi boa essa minha luta, pois se eu tivesse deixado passar, se tivesse ficado na cozinha com as outras mulheres, a gente jamais ia descobrir tanto um sobre o outro.
Ele ainda tem dificuldade em entender certas coisas que passam na minha cabeça, ainda tende a me imaginar uma menininha, mas isso faz parte de ser pai e de querer bem, mas o importante é que nós temos uma amizade.
Parabéns, paizinho!!! Conte sempre comigo.